Âmbar
Na casa de Beatriz, Rúben queria-a estática para que lhe pudesse contemplar a beleza, nutrindo a sua insânia. Perante o «não», quis fossilizar-lhe o brilho, preservando a imagem de Beatriz a encará-lo além-mundo. Julgou, erroneamente, que o verde dos olhos dela seria seu para sempre; mas até morta ela era livre.
Rúben ergueu a ruína julgando que a morte lhe traria o abraço eterno de Beatriz; a morte, no entanto, quando convocada pela vaidade do homem, torna-se-lhe implacável:
Rúben sufocou-se na cela do seu pecado; já Beatriz transmutou-se em alquimia sagrada que ampara a saudade, purificando-se, enfim, na eternidade.
