Gato
Entras na cozinha tal felino a passos de lã; queixas-te do meu sobressalto.
Sentas-te na cadeira diante de mim. Entrego-te a caneca de café, mas não lhe tocas; observas o meu andar e dizes-me que eu devia ser menos: ruidosa, vistosa, risonha, transparente, inocente.
Abro a janela e tiro um cigarro do maço que guardava no bolso esquerdo; trago-o e expulso todas as características da minha personalidade naquele fumo baço.
— Sabes que é para o teu bem.
Estendes dois dedos, tiras-me o cigarro dos lábios; aspira-lo e, como se me beijasses, expulsas a tua índole para os meus pulmões.
