Tijolo
A passos de ferro, Zé cruzava o estaleiro e Morais erguia a espátula que quase os dividia. Nas mãos do primeiro, a matéria áspera e porosa arranhava a pele, deixando um rasto de pó escarlate nos dedos ávidos de proteção.
Zé assentava aquele bloco retangular; a cada batida, o estalido seco, agudo e doloroso ecoava quais falanges na quebra das suas artroses.
Morais entregava-lhe a areia húmida para o consolidar, mas a gravidade puxava-lhe os braços para a terra, cansando-lhe a alma.
O cheiro da mistura naquele bloco estava qual as peles dos pedreiros: queimado, poeirento, defesso e deteriorado.
