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Efémero

Belo era o jardim onde Leo e Vini juravam amor eterno, ignorando a pressa dos que se atrasavam por motivo algum. Se ao menos se tivessem atrasado pelo afago de um cafuné, sempre se justificava a cacofonia das arfadas e das passadas que, tão sôfregas, alvoraçavam o canto dos pássaros. 

O mundo era daquelas duas almas até ao dia em que Leo não respondeu, silenciado pelo asfalto. Vini emudeceu, encenando apatia orgulhosa, até perceber que o destino lhe deixara a vida, agora, morna; nem aquecia, nem arrefecia.

Naquele jardim agora mudo, dos alvoraçados caiu nada mais que uma pena.

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