Mar

Flutuamos sobre placas tectónicas desesperadamente estáticas. A ciência diz-nos que os continentes se afastam consoante o ritmo do crescimento das unhas; tu não sentes, mas a minha enxaqueca segue-lhes o movimento e expande-se na margem que me não dás.

Se eu pudesse cegar quando carregas a espuma na boca e esventras os poucos e miúdos alicerces da minha estrutura mental, talvez te conseguisse abraçar sem me deixar afundar.

Fico lá, a boiar, que se me mexer não sei mais se acordo. Então lambes-me as vértebras que não partes; sabes que o meu sangue é a poesia que te escrevo.

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