Nuvem
O relógio de parede desfez-se em quatro ponteiros sem contornos definidos.
Na cozinha, enquanto o pai de Susana lavava a loiça, o som da água embatia nas paredes do corredor como um eco distante, abafado por panos. Ela bem que tentou levantar-se da cadeira, mas as pernas eram que nem pedra.
Estendeu a mão para o copo, calculou mal a distância e os dedos fecharam-se no vazio. Pareceu-lhe ouvir, lá ao fundo, o pai chamá-la; mexeu os lábios para responder, mas o som não saiu.
Ficou ali, submersa em si mesma, sem que a vista lhe focasse cabo do talher.
