Calma

Fecho a porta e o estalido do trinco sela o exterior. 

Descalço-me e obrigo-me a colocar os pés nus sobre o tapete que se sente irregular e me arrepia — o tal desconforto que me é confortável, por me ser familiar. 

Não posso acreditar, mas não minto quando digo que foi assim que aconteceu:

— Preciso que as luzes fiquem a meio tom e que o incenso seja retirado do meu gabinete — pedi, nervosa.

O supervisor da empresa anuiu, tomando apontamentos sobre as minhas diretrizes.

— Assim faremos — respondeu, num sorriso terno.

A minha matéria, antes dispersa, finalmente assenta. 

Já consigo respirar.

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