Amanhecer

O camião do lixo trava fundo no fim da rua. No número 59, afastado da janela, Afonso acende o último cigarro do seu maço. O fumo, nuvem, flutua até ao teto, onde a penumbra começa a perder contornos, qual alucinação.

A carrinha da distribuição para junto à pastelaria. O estafeta descarrega as caixas de pão fresco; os ganchos de metal batem no passeio.

No quarto, as bordas da mobília ganham arestas fúlgidas. A luz amarela dos candeeiros da via pública apaga-se de rompante. 

Afonso esmaga a beata no cinzeiro e sente o seu cheiro acre. 

Quase vomita.

É hoje.

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