Orvalho

O velho Simeão arrastava o peso dos seus setenta invernos nas artroses; a noite fora longa e pesarosa.

Antes do amanhecer, abriu a porta de madeira, ouvindo-a chiar e, de tão seca que estava a terra, ao pisá-la, ouviu-lhe o estalido — algo se quebrara; além desse som, o silêncio fazia-se soberano.

Olhou para o chão e viu as folhas agora com a forma dos seus sapatos; pensou que nem por estarem quebradas habitava nelas maior feiura. Na sua morte restaurava-se ainda a lembrança de que o velho permanecia vivo. 

Inspirou, 

          levou as gotículas da vida ao rosto, 

                                                          e renasceu.

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