Bigorna

Subo a escadaria e o mundo fixa-se na contagem que segura a minha matéria e impede-a de se dissolver no ar, qual metrónomo a noventa e dois batimentos por minuto, nem mais nem menos, e a ondulação dos passos carrega-me contra a força da gravidade. — Estás muito bonita hoje, Mariana! — A contagem interrompe-se e o ciclo quebra-se; o impacto do silêncio atravessa-me o centro e a substância derrama-se pelas escadas, matéria crua fora das margens e o meu balanço corrompe-se, o pensamento desmorona-se — só vazio —, mas não me posso esquecer de sorrir e de agradecer; devia dizer algo… devia… 

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