Alcatrão
Os gritos ecoavam no quotidiano da sua infância.
Eduardo engolia o choro; sabia que se cedesse, o pai dar-lhe-ia motivos para o fazer. (…)
Os gritos ecoavam no quotidiano da sua infância.
Eduardo engolia o choro; sabia que se cedesse, o pai dar-lhe-ia motivos para o fazer. (…)
O presente texto nasce de uma reflexão que surgiu num diálogo informal sobre os caminhos da formação de leitores e a rigidez do sistema de ensino literário. O cerne do que me aflige em relação a este tema reside essencialmente na dessincronização de impor obras de extrema complexidade literária e estilística — como Os Maias de Eça…
O mármore erguia-se sobre a estrutura que suportava o peso monumental do santuário. Amália limpava o altar, ciente de que a abóbada dependia do quão imaculado se apresentava aquele espaço. Já Matilde, a arquiteta, observava o ponto exato onde a gravidade se fixava, certa de que qualquer desalinhamento naquele alicerce faria ruir a estrutura inteira. …
O meu avô avançou a pedra preta, tornando-a dupla. Nunca me deixava ganhar por desmérito e eu sabia que era assim que ele me preparava para a vida.
O velho Simeão arrastava o peso dos seus setenta invernos nas artroses; a noite fora longa e pesarosa. (…)
Natural de Vila Viçosa, Manuel Lereno [1909–1976] destacou-se como ator, declamador e poeta. Formado no Conservatório Nacional, passou pelo teatro, pela Emissora Nacional, pelo Rádio Clube Português e pela RTP. Publicou poesia e deixou uma carreira marcada pela palavra dita, escrita e gravada.
Enquanto o esquadro delineava retas, eu trazia o metrónomo no pulso. (…)
Na casa de Beatriz, Rúben queria-a estática para que lhe pudesse contemplar a beleza, nutrindo a sua insânia. Perante o «não», quis fossilizar-lhe o brilho, preservando a imagem de Beatriz a encará-lo além-mundo. (…)
Em: Mulheres: Quando o hábito deixa de ser chão, pp. 29-32
Numa conversa, uma pessoa que admiro profundamente comentou que, sim, existe o perfeccionismo, mas se pessoa X é perfeccionista, o que se chamaria à Laura?