Charneca

Lucas fincou a pá no solo arenoso. O metal rangeu contra raízes de giesta, mas não trouxe água. Apenas terra seca.

Sob o céu cinzento, a planície estendia-se até perder de vista, interrompida apenas por arbustos rasteiros que o vento vergava.

Inês ajeitou o xale e cuspiu no chão poeirento.

— Há quilómetros que só vês isto, rapaz. Não insistas.

Lucas limpou o suor da testa com a manga da camisa, deixando um rasto de lama na pele. Olhou o horizonte vazio, onde a terra e o nada se fundiam.

— Há de haver um poço — insistiu, cavando outra vez.

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