Musgo

Nos fundos do palacete, Margarida inspeciona as fissuras dos azulejos seiscentistas, impaciente.

— Se não cobrirmos a humidade, a fotografia vai ter demasiado ruído visual — diz ela, enquanto me ajeita o vestido. — Uma imagem bem cuidada faz toda a diferença, sabes isso muito bem.

Olho para a colónia que domina a pedra partida. Não encanta, mas bebe a água que destrói o cimento e amortece a queda do tempo.

— Que vergonha, deixarem as coisas chegar a este estado.

Contemplo o belo da feiura, a base do mundo.

— Mas é isto que impede a parede de desabar — digo, por fim, plena.

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