Perfeição ou Excelência?

Sempre me descrevi como uma pessoa perfeccionista, uma etiqueta que carreguei sem grande questionamento até ontem.

Numa conversa, uma pessoa que admiro profundamente comentou que, sim, existe o perfeccionismo, mas se pessoa X é perfeccionista, o que se chamaria à Laura? No momento, respondi que essa minha busca estava relacionada com o autismo. Efetivamente, creio que está. No entanto, nunca tinha parado para analisar a fundo a razão dessa minha procura constante, e foi a tentativa de decifrar essa resposta que me conduziu a esta reflexão:

Eu acredito que um trabalho pode ser perfeito sem ser excelente.
Um projeto pode ser imaculado dentro daquilo a que se propõe: sem erros, com uma estética irrepreensível, contendo toda a informação relevante e sem qualquer lacuna percetível.

Está perfeito.

Contudo,
esse mesmo trabalho perfeito pode não acrescentar, permanecendo estéril no seu impacto.

Por muito tempo, devido a situações conturbadas da minha infância sobre as quais já refleti noutra publicação, lutei contra a minha própria vontade de ir além do proposto.
Dou o nome de excelência àquilo que procura dissecar o objeto até ao fundo, compreender a sua génese e de transmutar essa essência para a big picture.
O que faço (seja lá em que formato for) tem de acrescentar valor; tem de contribuir.

Assim, se eu tiver de escolher, prefiro que um trabalho meu seja imperfeito, mas que seja excelente na dimensão em que me transcende.

Naturalmente, dentro dessa busca pela excelência, procuro que o resultado final esteja o mais próximo possível da perfeição técnica — não o vou negar.
O rigor, para mim, importa.

Mas a perfeição por mera perfeição, desprovida de significado ou de utilidade, nunca será o meu propósito.

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